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8.10.10

A Moça Tecelã


Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


Marina Colasanti

15.6.10

Pixie Lott

Eu precisava dedicar um post especial a ela, que tem me aliviado tudo e me economizado lamúrias: Pixie Lott. Devo esse momento da minha vida a ela.


O nome não é Pixie Lott, claro. Victoria Louise Lott tem apenas 19 anos e já é considerada uma das vozes mais autênticas da atualidade. O nome 'pixie' veio da mãe, que costumava chamá-la assim, por "ela parecer uma fadinha". Pixie dança, canta, compõe e, de alguma forma, a sua música nos faz acordar para uma realidade que não nos é imediata: "nada pode ser tão ruim assim". A maior parte das canções passam uma mensagem boa, apesar da melancolia contida na maioria das letras.

Hoje em dia, eu faço tudo ouvindo Pixie. É bem capaz de saturar, mas eu nunca vou esquecer que foi ela quem me ergueu, mesmo antes de eu acertar o chão, enquanto caía.

30.1.10

a shot at love - a saga persiste!


eu não disse que teria sequência?

pois é. aí está o "A Double Shot at Love" enchendo nossos olhos de lágrimas e agora com uma novidade: irmãs gêmeas bissexuais.


não se espantem quando trigêmeas extraterrestres siamesas pansexuais comandarem o programa, escolhendo "o bicho que vai entrar na banheira de hidromassagem" com elas.

* janeiro de 2010

23.9.09

new bff

a mtv já me fez acreditar em várias coisas que pareciam impossíveis...

madonna já saiu de dentro de um bolo e já fez ménage também, michael jackson virou um homem branco de nariz afilado, os cardigans já deram carona pro gato felix, alicia silverstone e liv tyler já deixaram um cara ‘crazy’, cher se transformou em desenho animado, eminem já mostrou a bunda inúmeras vezes... até perder a graça, os backstreet boys ainda existem, britney spears já dançou gorda, shakira mergulhou de um penhasco e em seguida fez sexo por telefone, lauryn hill chorou cantando e com certeza não chorou sozinha, prince fez chover 'purple', justin timberlake sobreviveu ao fim de uma boy band, avril lavigne empolgou, marilyn manson chorou sangue, christina aguilera quase morre de inveja de uma VJ brasileira ao vivo... ah sim, e paris hilton, além de ter virado cantora, procura um ‘melhor amigo’ num reality show.

coisas que pareceriam absurdas, mas que tendo o respaldo da mtv, nos fazem bocejar de tão normais.

bom, eu não vou dissecar esse assunto da paris como fiz com ‘a shot at love’. porque procurar um namorado na televisão é estranhamente mais aceitável do que procurar um melhor amigo. quer dizer, quem lembra do 'em nome do amor' de sílvio santos? binóculo bizarro, julio iglesias tocando ao fundo, dancinha, três palavrinhas... namoro ou amizade? pimba na ximbica!

onde estão os clipes da mtv?