13.7.09

siga seu coração, que eu já falo


é só você começar a falar, que logo as identifica.

sabe aquelas pessoas que escutam uma história com toda atenção possível, com aquele olhar de quem com certeza vai expressar alguma opinião no fim, e nesse mesmo fim, não falam nada? aliás, até falam. mas não se comprometem dando uma opinião.

é um tal de "olha, siga o seu coração" ou "eu acho que depende do que você quer"... aaah! ninguém que venha me dizer que isso é uma palavra amiga, porque pra mim, não é! amigo que se importa, corre o risco de falar "se eu fosse você, faria isso ou aquilo", não fica nessa de ter medo de se envolver.

quando estamos com algum problema, não queremos ouvir uma frase pronta. precisamos de alguma solução, por pior ou mais inadequada que seja.

quando estamos com um problema, precisamos de um amigo. um amigo de boca aberta.

20.6.09

O casal "Stepford"

Acho engraçado esses casais lindos que passam por nós às vezes. São pessoas lindíssimas, que despertam uma certa inveja ao desfilarem sempre cheirosas e arrumadas. Dá até raiva ver tanta perfeição, até que...

Bom, quando você está sentado e observa as pessoas passarem, não é como se você estivesse fuçando a vida alheia, mas algumas observações não podem passar batidas. É então que passa esse casal do qual eu estava falando. À primeira vista, você já se impressiona e acha até meio injusto duas pessoas tão bonitas estarem juntas. Eles não andam, eles deslizam... É uma obra-prima! Não coçam o nariz, não roem as unhas... Por um breve instante, você até se pergunta se eles são reais mesmo.

É nessa hora que você, depois de ter absorvido esse primeiro impacto, percebe que a única coisa que indica que aquilo é um casal, são as alianças. Porque, aparentemente, eles não agem como um casal. Eles mais parecem dois modelos que saíram de alguma contracapa de revista por acidente. Nenhuma carícia ou sorriso que demonstre alguma satisfação sai dali. Eles andam, andam e não chegam a lugar nenhum. Não conversam, não contam piadas, não falam – nem se for pra falar mal da vida alheia. Não fazem nada que um casal normalmente faria. Onde está o beijo? E o carinho? Será que eles fazem sexo? E a tal perfeição? Será? Será?

Nessa hora, lá vem o seu amor trazendo uma bandeja com o lanche de vocês e com um sorriso de orelha a orelha, fazendo alguma piada de si mesmo. E pensar que você quase sentiu inveja do tal casal-perfeição...

13.6.09

a mulher independente

A mulher independente sabe o que quer. Gosta de provar a si mesma que pode fazer o que um homem faz. E faz isso muito bem! Sabe como controlar a própria vida, sabe dizer não a tudo aquilo que não lhe convém, sabe como colocar uma camisinha, sabe abrir uma conta no banco, pagar suas contas, escolher suas roupas, seus acessórios... Sabe como coçar o nariz, tirar meleca, "coçar o saco" e não chorar nos filmes.

A mulher independente pode fazer tudo que um homem faz e disso se orgulha muito! Pode beber na boca do litro, se sentar toda aberta no sofá, beber aquela cervejinha aos domingos... Pode sair com o Cláudio, beijar o Marcos ou transar com o Jonas: porque se diz estar num “momento confuso da vida” e que busca uma identidade para si mesma no momento. A mulher independente sabe, inclusive, gozar sozinha, por que não?

Aliás, falando em pantomima masculina, acabo de realizar: a mulher independente bebe na garrafa, deita no sofá, bebe cerveja, paga as suas contas, sai com o Marcos, transa com o Mateus, volta bêbada pra casa. E, no fim, justo no fim, quando os homens cansam e caem fora, em busca de algo que não seja tão "hurricane" assim. A mulher independente se dá conta afinal de que ainda é uma mulher.

Vai pra casa, chora, come chocolate e pensa: 'eu mereço?'. Como qualquer outra.

26.5.09

Carta a Vitorino Nemésio

Assistindo o DVD da Maria Bethânia, me deparo com este verso (lindo por sinal!) da Amália Rodrigues. Achei interessante postar. Aqui vai...

Talvez que o anjo esquecido,
O anjo da poesia,
Se tenha de mim perdido
Sem reparar que o fazia...
Por isso me faltam asas
E me sobejam as penas
De um desejo inalcançado:
Que eu gostava de voar
Até ao anjo perdido
O anjo de mim esquecido,
Que por mim é tão lembrado.
Ai se eu tivesse voado
Aonde queria voar
Não estava agora a rimar
Versos de asas cortadas.
Voava junto de si
Assim fico aonde me vê
Mesmo pregadinha ao chão
Com asas de papelão
E sem entender porquê.
Pois a uns faltam-lhe asas
Mas por ter asas cortadas
Sofrem uns e outros não?
Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados,
...E por falar dos pés
Com versos de pés quebrados
Perdoe lá a quem os fez
Pelo mal dos meus pecados
Só os fiz por timidez
Que tenho em me dirigir
A quem tem por lucidez
Razão para distinguir
O bom e o mau Português.
Assim à minha maneira
Aqui venho responder
Desta forma tão ligeira
Que a sério não pode ser!

Amália Rodrigues

12.5.09

Gravatas e petecas à parte...

Outro dia, conversando com “my real big fella”, cheguei a seguinte conclusão: essa história de maturidade é mesmo bem distorcida. Não dá mais pra saber se o que faz de você uma pessoa madura é realmente o que você é ou o que você tem. Porque hoje em dia, isso é praticamente a mesma coisa – para a maioria das pessoas.

Eu entendo que são inúmeros os fatores que configuram essa (tão sonhada) maturidade. Não é só uma atitude, um valor ou um comportamento. Na verdade, é um grupo de características que nos levam a afirmar isso. Mas eu não consigo entender quando alguém associa a nossa amiga aí apenas a um emprego estável ou a uma vida independente, onde o que interessa é uma conta quitada no final do mês. Então é isso? Ser maduro é não depender de ninguém e pronto?

Não que não seja, mas pra mim, isso é só uma parte. Porque dependendo da sorte e da capacidade de cada pessoa, isso é possível para qualquer um. Você pode estar indo trabalhar, com aquela camisa bem passada, pasta nas mãos e, no entanto, pode parar naquela esquina para comprar uma bala, um chiclete, um pirulito, até mesmo uma puta (no caso de você ter uma esposa em casa). Você depende de alguém? Deve alguma conta? Então, está tudo bem. Você não passa por nenhuma sala de julgamento, é absorção total. Porque maturidade hoje é poder. Nada mais.

Pra falar a verdade, não sei o que acontece com o mundo. Por que, de repente, todos querem ser maduros e mostrar isso? Ninguém enxerga que é impossível seguir tão bem a cartilha a ponto de ter lá, como principal definição: “maduro”. Pra mim, no final, ninguém é maduro de verdade, ou pelo menos por completo. Porque todos os dias, nós amadurecemos mais um pouco. Perdemos de um lado, ganhamos de outro. Pecamos aqui, acertamos ali. Uns menos, outros mais. Mas no fim, todo mundo tenta ser melhor do mesmo jeito. E mesmo assim, somos sempre subjugados, porque é isso que fazemos de melhor: “that’s the world for you”.

Por isso, eu continuo pensando como antes. A melhor maneira de amadurecer é aqui dentro e depois fora. Porque antes de ser rico, é preciso saber o que fazer com a grana. Antes de ter um filho, é preciso ter planejamento. Antes de vender um produto, é preciso analisar a sua funcionalidade, e por aí vai. Porque ser maduro é pensar antes de agir. Por essas e outras, eu – que (confesso) não penso tanto antes de agir e que por tantas vezes me surpreendi (no mal sentido) comigo mesmo – não sou tão maduro quanto gostaria.

Tampouco, apesar de toda bebedeira e pouca tolerância, sou um garoto. Sou o meu próprio extremo quase sempre, porque entre a verdade e a mentira, prefiro transbordar verdade. Prefiro ser verdade, mas calma, hoje eu sei... Também preciso ser mentira.